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Ora no trono,
ora na caverna. Esta parece ser a terrível sina do ministério
pastoral.
No trono, há o poder, a honra, o reconhecimento e a indisfarçável
sensação que chegamos lá onde queríamos
desde o início; o nosso destino apelidado de vocação
encontra seu pedestal.
Na caverna, há o medo, a solidão, o questionamento
e a irresistível certeza que perdemos o rumo traçado
desde o começo; a nossa vocação renomeada destino
encontra seu túmulo.
Parece não haver meio termo, equilíbrio, constância.
Dos pratos largos da crise e do sucesso servimo-nos de grandes porções
e a grandes goles bebemos ora do vinho da fama, ora do vinagre do
fracasso. Tudo parece exagerado: nos embriagamos no vinho do sucesso
e destilamos arrogância e auto-suficiência e, algumas
vezes, nos envenenamos no vinagre da derrota e vomitamos angústia
e desolação.
Quem nunca esteve no trono e na caverna? Não ao mesmo tempo,
por certo, mas quase imediatamente um após o outro, sem importar
a ordem dos fatores, embora verdadeiro seja Salomão ao dizer
que "o orgulho precede a queda", fazendo a sala do trono
a ante-sala da caverna. No "Depósito das Vocações
Desconhecidas" há sempre dois elementos da mesma multiforme
natureza dAquele que chama.
O seu poder para subjugar exércitos, envergonhar os inimigos
e cumprir a vontade de Deus na terra. Quem recebe uma larga porção
de tal poder, certamente será conhecido na terra por muitos.
Seu verdadeiro caráter será conhecido, isto é,
revelado por tal poder, pois tem a capacidade de mesmo tocando o
exterior das pessoas, manifestar o que há de melhor ou pior
no mais profundo de suas almas.
A segunda face é mais uma herança do que um presente
que se recebe. O presente freqüentemente é usado naquela
parte do homem que todos podem ver, mas tal herança é
plantado lá dentro como uma semente, que cresce e enche todo
o homem de dentro para fora. Verdadeiramente, eis aí o único
elemento no universo conhecido por Deus e pelos anjos que pode mudar
um coração humano: a graça.
O primeiro elemento é contumaz freqüentador da sala
do trono, pois se alimenta daqueles sentimentos que proliferam no
nosso coração quando sentamos no trono. O segundo
só se revela na solidão das cavernas, porque inspirando
suspiros confinados é capaz de exalar sopros renovados.
A verdade, todavia, é que Deus não nos chamou para
nos escondermos em cavernas, nem para reinarmos em tronos. Entre
o trono e a caverna é que encontramos o nosso habitat e a
nossa realização vocacional. No altar da oração,
nas páginas da palavra, na mesa da comunhão e nas
ruas do serviço podemos fugir do tentador magnetismo do trono
e nos libertar das espessas teias da caverna; não são
estes que chamamos "meios de graça"?
Seja no trono ou na caverna o lugar onde você está,
saiba, companheiro, que não está sozinho. Há
milhares de testemunhas vivas e mortas, terrenas e celestiais, que
antecipam o momento em que você sairá do trono ou da
caverna para, mais uma vez, dizer: "Sim, Senhor. Eis-me aqui.
Envia-me a mim".
Aí, então, o milagre acontecerá de novo: o
Deus que tudo pode e de ninguém precisa lhe revestirá
do poder que só o trono parecia lhe oferecer e da graça
que só a caverna parecia ter.
Robinson G. Monteiro
Pastor Assistente
River of Life Presbyterian Church
Orlando, Flórida
Rgmonteiro@aol.com
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